(série em três capítulos)
Na semana passada, enquanto eu aguardava atendimento num ambulatório do SUS, ouvi as queixas de uma mulher para amiga. Dentre outras coisas, aquela senhora estava profundamente preocupada com o futuro da mãe. Segundo ela, caso Lula vença as eleições, todos os idosos serão arrancados de casa. “Veja se pode?... Minha mãe, que tem 87 anos, vai ter que sair de casa?!” Ela não disse para onde seriam levados os velhinhos, mas por essa razão todos teriam que votar no Bozó, porque “esse é o que resta” – afirmou.
Nesse mesmo dia, já voltando para casa e passando numa ‘casa de bolos’, observei que a comerciante, uma senhora de meia-idade e de sorriso fácil, já há tempos minha conhecida, parecia estar em melhor forma física e um pouco mais magra. Tentando ser simpático e sem ser atrevido, perguntei: “A senhora está fazendo academia, né dona Edna?...” “Bom, por enquanto estou indo, mas parece que vão fechar as academias de ginástica. Se fecharem mesmo, vou ter que parar.” Na hora em que ouvi aquilo, fiquei sem entender, mas não querendo estender a conversa com perguntas desnecessárias, peguei o meu bolo de fubá com erva-doce bem moreno, conforme preparam para mim sob encomenda, e passei o cartão na maquineta. Ao me oferecer o comprovante de pagamento, que dispensei, aquela senhora desfolhou mais uma camada de pânico. “Sabia que daqui uns dias esse comprovante vai sair com o valor do imposto cobrado pelo governo? Pois, dependendo do que virá por aí, o imposto vai sair registrado aqui, nesse papelzinho.” Ouvi calado e tentei conectar essa informação com a outra sobre o fechamento das academias. Sem entender nada daquilo, saí rápido com o bolo, que continuava quentinho.
Percebi depois que a dona Edna não estava mesmo muito animada. Ela parecia preocupada com o futuro de suas aulas de ginástica e também com os rumos de seu comércio de bolos. Ela, a senhora do ambulatório e muita gente deve estar recebendo notícias falsas, que até podem parecer verdadeiras. Há muitas pessoas pagas para fazerem futrica nas redes sociais, que se propagam nos grupos de mensagens e reverberam nos ‘comes e bebes’ de fim de semana. É dessa forma que gente malandra, sabedora da fragilidade das pessoas, aproveita para disseminar as “falsas verdades”.
E tem funcionado! Prova disso é que a ‘família bozó’, que nunca trabalhou e vive de dinheiro público além de negócios escusos, está encastelada no Poder – e pelo voto popular! Os pobres votam nesses vagabundos porque acreditam naquelas baboseiras que os deixam ainda mais pobres; os ricos votam neles por afinidade ou porque terão o patrimônio livre de impostos, podendo ficar ainda mais ricos.
E assim, antevendo a dureza dos dias vindouros e a desdita das futuras gerações, vamos caminhando apressadamente para um deserto institucional cuja travessia será penosa. E nessa travessia, alguns tombarão.
filipe